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Fraturas, luxações e imobilizações
FRATURAS
Fratura é a interrupção de continuidade de um osso produzida por um traumatismo ou esforço; se acompanha de lesões mais ou menos importantes das partes moles vizinhas e ao conjunto se denomina “foco da fratura”. As fraturas podem ser ocasionadas por trauma direto (arma de fogo, roda de veículo ou outro agente impactante) ou por causa indireta (queda ocasionando hiperflexão ou hiperextensão do osso, ou torção do osso, ou até por ação muscular em uma contração muito forte.
Tipos
1.Incompletas: trabeculares,em galho verde,por compressão, fissuras.
2.Subperiostais: fratura completa sem lesão do periósteo.
3.Completas
Simples: dois fragmentos
Cominutas: três ou mais fragmentos
Transversas
Oblíquas
Espiraladas
Longitudinais Com desvio: angular,rotacional,longitudinal,lateral,impactada
Sem desvio
4.Fechadas: sem lesão do tegumento cutâneo.
5.Expostas: com lesão do tegumento cutâneo e exposição óssea.
6.Fraturas por “stress”: microtraumas repetidos.
7.Fraturas patológicas: desmineralização óssea (osteoporose e raquitismo),processos inflamatórios ou infecciosos,cistos,tumores e fragilidade óssea congênita.
Diagnóstico e tratamento
Em todos os tipos é importante a observação cuidadosa do paciente comoum todo e só depois o exame da região da fratura. Na área lesada podemos observar a presença ou ausência de deformidade, edema, reações inflamatórias, lesão da pele, lesão nervosa e vascular. A avaliação radiológica confirmará a fratura, e permitirá sua classificação. Somente a partir deste ponto têm-se conclusões para o tratamento. O tratamento pode ser não cirúrgico ou cirúrgico, de urgência ou eletivo. As antigas e grandes salas de gesso estão hoje cedendo lugar a tratamentos mais intervencionistas em salas de cirurgia, devido às maiores proteções antibióticas e aos novos métodos de redução e fixação percutânea ou aberta. A imobilização com aparelho gessado está reservada aos casos mais simples ou como complemento pós-cirúrgico. Sempre que o paciente estiver com uma fratura, utilizando ou não imobilizações externas, deve se ter em mente a possibilidade de compressão que pode levar à instalação da temível síndrome compartimental.
As fraturas expostas ou com lesões graves de partes moles devem ser tratadas inicialmente na urgência, com limpeza e desbridamento. Nas situações em que as partes moles que protegem o osso e demais tecidos tenham sido irremediavelmente lesadas podem ser necessários retalhos de cobertura cutânea de vizinhança ou à distância, com ou sem a utilização de microanastomoses vasculares. Esta técnica pode evitar necrose, infecção e gangrenas que podem levar à perda do membro, sua inutilidade funcional, ou à morte.
Confecção de uma tala gessada
Observe uma tipóia mal-confeccionada, comprimindo a circulação da mão. A tipóia deve apoiar todo o antebraço e não garroteá-lo.
Exemplos de dispositivos removíveis que vem sendo utilizados modernamente para imobilização das extremidades do corpo.
Fixador externo, comumente utilizado como estabilizador provisório em fraturas expostas
Fratura cominuntiva da tíbia: observe a presença de vários fragmentos ósseos
Fratura supracondiliana do úmero acometendo o cotovelo de uma criança de 7 anos de idade, tratada com redução associada a fixação com fios de aço
Fratura do rádio tratada com placas e parafusos e um fio de aço
  Fratura intra-articular do rádio distal tratada com redução e fixação abertas com uma placa
 
Fratura do colo do fêmur tratada com prótese do quadril

Fratura diafisária dos ossos da perna tratada com haste intramedular bloqueada

Fratura exposta: observe a lesão da pele por onde o osso entra em contato com o meio externo
Fratura exposta grave coberta com retalho microcirúrgico
Epifisiólise ou descolamento epifisário
Nos indivíduos jovens que ainda apresentem cartilagem de crescimento nos ossos longos, principalmente nos meninos, ao invés de fraturas e luxações podemos ter o escorregamento da epífise de um osso (úmero,rádio, fêmur). Podem ser parciais ou totais e ocasionados por causas diretas ou indiretas. Estas lesões são urgências em função do risco de lesão definitiva da placa de crescimento, o que pode levar a parada do crescimento do osso e discrepância do comprimento ou deformidade angular da região acometida.
Descolamento epifisário

Remodelação: crianças com potencial de crescimento podem ter suas fraturas remodeladas
LUXAÇÕES
Luxação é a perda da relação entre as superfícies articulares dos ossos. Pode ser total (luxação completa) ou incompleta (subluxação). Juntamente com a luxação articular teremos lesões capsulares e ligamentares e até lesões nervosas e vasculares que devem ser detectadas na urgência. Também podem acontecer lesões cartilaginosas e ósseas; estas lesões podem comprometer o bom funcionamento articular posterior à redução. Um exemplo deste comprometimento são as luxações recidivantes ou habituais, muito comuns nos ombros.
As luxações devem ser tratadas na urgência, porque sem o contato ósseo adequado a cartilagem articular necrosa, e as partes moles se retraem, tornando a luxação irredutível.
Apesar da maior parte das luxações acontecer após um trauma, há ainda as luxações congênitas, mais comuns do quadril, e as luxações patológicas acusadas por infecções articulares (pioartrite).
Diagnóstico e tratamento
Como em todo tipo de traumatismo de um membro não se pode esquecer o doente como um todo e só depois planejar o tratamento. Todos os cuidados devem ser tomados para evitar que a manobra de redução não seja mais agressiva que o próprio trauma que ocasionou a lesão. As manobras de redução devem ser suaves, em sentido contrário ao trauma, e de preferência com anestesia geral, a qual relaxa a musculatura facilitando enormemente a redução. Em certos casos, como nas luxações de articulações menores, podemos usar a anestesia local (infiltração articular) ou bloqueio à distância.
O pós-tratamento é a imobilização (gesso ou uma simples tipóia como no caso do ombro e cotovelo) até a cicatrização das partes moles envolvidas (2, 3 ou 4 semanas dependendo da articulação) e um programa de reabilitação bem executado para evitar a rigidez ou novos episódios de luxação.
Luxação do ombro, antes e após redução. Observe pequena fratura da tuberosidade visível na radiografia prévia à redução

Luxação do semilunar e do escafóide para dentro do túnel do carpo
Bibliografia
Campbell , Operative Orthopedics, Tenth Edition, Mosby, 2004
Rockwood and Green’s, Fractures in Adults, 6ª edição, Lippincott, Williams & Wilkins, 2006
Rockwood and Green’s, Fractures in Children, 6ª edição, Lippincott, Williams & Wilkins, 2005
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